
Eu nunca pensei que a preguiça pudesse ser uma virtude, mas quando se trata de investir, ela se mostra sempre vantajosa. Você pode negociar muito e se preocupar demais com as manchetes e os programas de negócios na TV. Isso pode enlouquecê-lo e você vai perder muito dinheiro tomando decisões ruins.
Ou você pode montar um “nano” portfólio, o que eu fiz anos atrás – e esquecê-lo.
Com base em meu plano inicial de alocação no MyPlanIQ (www.myplaniq.com), um site com aplicativos que ajudam a montar carteiras para a aposentadoria, montei um portfólio hipotético que deu um retorno de 7,4% em 2011. Em contrapartida, o índice Standard & Poor’s 500 (S&P500) registrou uma pequena perda no ano passado.
Eu prestei tão pouca atenção ao meu “nano” portfólio no ano passado que só soube o quanto ele rendeu quando o MyPlanIQ me enviou um relatório. Eu não tenho qualquer relação com esse site. Eles calcularam o retorno e montaram a alocação dos recursos usando seu algoritmo “tático”, que busca formas de obter os melhores resultados com poucos fundos. Embora eu tenha alguns desses mesmos fundos na minha família de investimentos, eu não cuido do dinheiro de outras pessoas. Já estou nervoso o suficiente cuidando do meu próprio.
Eu chamei o portfólio de “nano” porque ele é pequeno em sua composição – apenas cinco ETFs (fundos com cotas negociadas em bolsa) e fundos mútuos – e tem aspirações modestas. Essa foi minha humilde contribuição para o mundo dos investimentos – um livre exercício de negligência benigna e diversificação.
Veja quão preguiçoso eu sou. Eu não tentei prever a direção dos mercados, os eventos ao redor do mundo, os movimentos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ou o próximo setor da moda. Na verdade, eu não fiz previsão alguma – incluindo qual seria o desempenho da minha carteira. Eu não tenho nenhuma habilidade especial. A formação do meu pequeno portfólio é baseada em apostas no crescimento para alguém que está em meio a uma fase de acumulação de recursos e tem pelo menos 15 anos até a aposentadoria.
Eis o meu portfólio:
- 20% no Vanguard Total Stock Market ETF [carteira composta por mais de 300 ações representativas de todo o mercado americano];
- 20% no Total International Stock Index Fund [carteira que reúne papéis de mercados desenvolvidos e emergentes];
- 20% no Vanguard REIT ETF [fundo que compra ações emitidas por "trusts" imobiliários (REITS) formados por companhias que adquirem escritórios, hotéis e outras propriedades];
- 20% no iShares Barclays TIPS Bond [fundo que busca refletir o desempenho dos TIPs, títulos públicos americanos indexados a índices de preços];
- 20% em iShares Barclays Aggregate Bond [fundo que busca acompanhar o desempenho de todo o mercado de bônus grau de investimento dos Estados Unidos].
Como é possível notar, eu cobri cinco classes diferentes de ativos por várias razões. Eu queria abranger a maior parte de ações ao redor do globo e algumas empresas do setor imobiliário. Do lado dos títulos, eu gosto de fundos com papéis que protegem contra a inflação e ETFs baseados em um amplo espectro de bônus americanos.
No mundo ideal, nenhum desses fundos vai se mover na mesma direção – e mais de 60% do portfólio não está diretamente correlacionado com ações. Se a inflação subir, eu tenho alguma proteção no fundo de TIPS. Todos estão entre os fundos passivos de mais baixo custo em sua classe.
Mas não tome minha carteira ou uma mistura de fundos como uma receita pronta que não pode ser ajustada. Você pode personalizar seu portfólio a sua idade e tolerância a risco. Quem está iniciando a carreira pode ampliar a parcela em ações. Se você já tem mais que 50 anos, considere colocar mais da metade de seu dinheiro em fundos de bônus.
É claro que meu portfólio não é isento de riscos. Se uma grande crise abalar os Estados Unidos e a Europa, minha carteira vai sofrer. Embora eu recomende meu “nano” portfólio para quase todo mundo interessado em apostas no crescimento, ele não é adequado para todas as pessoas.
Se você está perto da aposentadoria, deve ter pelo menos 60% em bônus e TIPS. Neste momento, meu mix pessoal é cerca de 50% em aplicações em renda e o resto em ações, REITS e no fundo PIMCO Commodity Real Return Strategy – uma combinação de contratos de commodities e TIPs, a minha proteção contra a inflação.
Se você é extremamente avesso ao risco, deve considerar um fundo ultraconservador como o Permanente Portfólio, que rendeu 8,3% no ano passado, de acordo com dados da MyPlanIQ. Esse fundo mantém 25% em ouro, prata, francos suíços e o resto em títulos do tesouro americano (25%) e ações de crescimento.
De qualquer forma, a alocação é a chave, e não o que você pensa sobre o rumo do mercado este ano. Concentre-se no que você precisa e monte seu plano como se fosse uma peça de mobília muito pesada que você não planeja trocar de lugar.
John Wasik é colunista da Reuters. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor.
Fonte: Valor Econômico